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SC exporta 85 mil toneladas para a União Europeia no 1º semestre de 2026, em período pré-embargo

G1

O cenário do comércio exterior brasileiro, especialmente no setor de produtos de origem animal, foi marcado por uma importante reviravolta no primeiro semestre de 2026. Santa Catarina, um dos pilares da agroindústria nacional, registrou uma performance notável, exportando 85.710 toneladas de produtos e gerando uma receita de US$ 282,66 milhões para a União Europeia. Contudo, esse volume expressivo ocorreu em um contexto de iminente restrição: o bloco europeu implementou, a partir da quinta-feira, 3 de agosto de 2026, um embargo a todos os produtos de origem animal provenientes do Brasil. A medida, anunciada em maio, gerou uma corrida dos exportadores para atender à demanda antes do prazo final, evidenciando a complexidade das relações comerciais internacionais e a necessidade de adaptação às exigências sanitárias globais.

Esta suspensão das importações pela União Europeia abrange uma vasta gama de produtos, incluindo carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos, afetando diretamente as exportações brasileiras para as 27 nações que compõem o bloco. A decisão europeia não se fundamentou na detecção de contaminação em produtos já importados, mas sim na avaliação de que o sistema de controle brasileiro sobre o uso de substâncias antimicrobianas na pecuária era considerado insuficiente, levantando preocupações sobre a saúde animal e, consequentemente, a segurança alimentar de seus consumidores.

O Desempenho Catarinense e a Antecipação ao Embargo

Os dados da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina revelam um crescimento significativo nas exportações para a União Europeia neste primeiro semestre de 2026. Houve um aumento de 47,11% na quantidade de produtos enviados em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando as 85.710 toneladas e US$ 282,66 milhões. Este incremento expressivo pode ser interpretado como um reflexo direto da iminência do embargo, levando importadores europeus a antecipar suas compras e reforçar seus estoques antes que as portas do mercado se fechassem.

O secretário de Estado da Agricultura, Admir Dalla Cort, embora tenha ressaltado que o aumento demonstrava a 'confiança do mercado europeu nos produtos catarinenses', a realidade da antecipação das compras sugeria também uma corrida contra o tempo. Essa manobra estratégica por parte das empresas importadoras visava garantir a continuidade da oferta nos meses subsequentes ao embargo, sublinhando a importância da cadeia produtiva catarinense e a demanda por seus produtos, mesmo diante de um cenário de incerteza regulatória.

A Força da Carne de Frango e a Diversidade Produtiva de SC

Dentro do panorama das exportações catarinenses, a carne de frango se destaca como a principal mercadoria enviada à União Europeia. Santa Catarina é um dos maiores produtores e exportadores de carne de aves do Brasil, reconhecida pela sua rigorosa vigilância sanitária e pela qualidade de seus produtos, que atendem a mercados exigentes em todo o mundo. A capacidade logística do estado, com portos estratégicos, e o investimento contínuo em tecnologia e biossegurança nas granjas e frigoríficos, consolidam sua posição de liderança.

Além da avicultura, o embargo impacta outras cadeias produtivas relevantes para o estado e para o Brasil, como a carne suína, bovina, o mel, os pescados e os ovos. A diversidade da produção animal catarinense, que inclui também setores como o de lácteos, embora não diretamente afetado neste embargo específico, mostra a robustez e a complexidade do agronegócio regional, que agora se vê desafiado a readequar suas estratégias de mercado.

As Razões do Embargo: Foco nos Antimicrobianos

A origem da medida restritiva da União Europeia remonta a maio de 2026, quando o bloco europeu retirou o Brasil de sua lista de países que cumpriam integralmente as normas referentes ao uso de antimicrobianos na pecuária. A principal preocupação do bloco europeu reside no uso indiscriminado dessas substâncias, tanto para tratamento de infecções quanto, em algumas práticas controversas, para estimular o crescimento dos animais.

A União Europeia mantém uma política rigorosa que proíbe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e restringe severamente o emprego de substâncias reservadas ao tratamento de seres humanos em animais. Essa diretriz visa combater a crescente ameaça da resistência antimicrobiana (RAM), um problema de saúde pública global que pode tornar infecções comuns intratáveis. A avaliação europeia apontou que, embora não houvesse necessariamente produtos brasileiros contaminados, o controle exercido pelo Brasil sobre o uso e a rastreabilidade dessas substâncias em sua cadeia produtiva era considerado insuficiente para garantir a conformidade com os padrões europeus.

Impactos e Perspectivas para a Recuperação do Mercado Europeu

A imposição do embargo pela União Europeia representa um desafio significativo para o agronegócio brasileiro, e em especial para Santa Catarina, que agora precisa realinhar suas estratégias de exportação. Embora o mercado europeu seja altamente regulado, ele também é um dos mais valorizados, pagando preços premium por produtos de alta qualidade e que cumprem rigorosos padrões sanitários e de bem-estar animal.

No entanto, é importante contextualizar o impacto dentro do cenário mais amplo das exportações catarinenses. No acumulado de janeiro a julho de 2026, as exportações totais de carnes de Santa Catarina alcançaram 1,24 milhão de toneladas, gerando US$ 2,84 bilhões em receitas. Esses números representam um crescimento de 9,11% em volume e 12,9% em receita em comparação com o mesmo período do ano anterior. Isso demonstra que, apesar da restrição europeia, o estado mantém uma robusta capacidade exportadora e uma diversificação de mercados, atenuando, em parte, o impacto imediato do embargo.

Caminhos para a Reversão: Negociações e Auditorias em Curso

A boa notícia é que a decisão de embargo da União Europeia não é irreversível. A reversão da medida depende substancialmente da intensidade e eficácia das negociações entre o governo brasileiro e o bloco europeu. Para facilitar esse processo, a União Europeia tem realizado auditorias in loco para avaliar as condições sanitárias e os sistemas de controle brasileiros. Nesta semana do embargo, por exemplo, o bloco conduziu uma auditoria focada nas cadeias de produção de frango e mel no Brasil, que foi concluída na sexta-feira, 4 de agosto de 2026.

O resultado desta auditoria, contudo, passará por um rigoroso processo de análise pela União Europeia, que pode levar aproximadamente dois meses. Durante esse período, especialistas europeus examinarão detalhadamente os relatórios, as evidências e os planos de ação propostos pelo Brasil para adequação às normas. O sucesso na reversão do embargo exigirá do Brasil não apenas a comprovação da ausência de irregularidades pontuais, mas a demonstração de um sistema de controle robusto, transparente e alinhado aos altos padrões de sanidade e segurança alimentar exigidos pelo bloco europeu.

O episódio reforça a importância da vigilância sanitária contínua e da adaptação às exigências globais em um mercado cada vez mais interconectado e regulamentado. Para Santa Catarina e para o Brasil, o desafio é transformar essa crise em uma oportunidade para fortalecer ainda mais seus sistemas de controle e reafirmar sua posição como fornecedor confiável de alimentos de alta qualidade para o mundo.

Manter-se informado sobre os desdobramentos desta situação é crucial para entender o futuro do agronegócio em nossa região. Não perca as atualizações e análises aprofundadas sobre economia, política e tudo que impacta a vida em Palhoça e Santa Catarina. Continue navegando no Palhoça Mil Grau e esteja sempre à frente com informações relevantes e contextualizadas!

Fonte: https://g1.globo.com

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