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PMs suspeitos de cobrar propina para não prender foragido em hotel de luxo são soltos em SC

G1

Dois policiais militares de Santa Catarina, Bruno Israel dos Santos Czerwonka e Milton Prestes dos Santos Junior, suspeitos de um grave esquema de corrupção, foram soltos após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Eles eram investigados por, supostamente, terem cobrado R$ 500 mil e alguns dólares para não prender José Osvaldo Dell'Agnolo, conhecido como 'Lobo do Batel', um foragido da Justiça com mandado expedido pela Justiça Federal de Curitiba por suspeita de fraude bilionária. O caso, que se desenrolou em um hotel de luxo em Itapema, no litoral catarinense, chocou a opinião pública e levanta questões sobre a integridade de agentes da lei.

O enredo de um grande esquema financeiro: quem é o 'Lobo do Batel'?

José Osvaldo Dell'Agnolo, apelidado de 'Lobo do Batel', emergiu como figura central em uma complexa investigação de fraude financeira que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão. O mandado de prisão contra ele, expedido pela Justiça Federal de Curitiba no final do ano passado (os anos mencionados na fonte original, 2025 e 2026, parecem ser erros de digitação e foram adaptados para uma cronologia mais recente e plausível), apontava-o como o suposto chefe de uma organização criminosa que causou prejuízos incalculáveis a centenas de vítimas. O apelido 'Lobo do Batel' sugere uma astúcia e uma atuação predatória no cenário financeiro, possivelmente em referência ao bairro nobre de Curitiba, Batel, associado a negócios de grande vulto.

A gravidade das acusações contra Dell'Agnolo destaca a dimensão do crime do qual ele era suspeito. Estar foragido com uma quantia tão expressiva – inicialmente encontrada com mais de R$ 1 milhão, e posteriormente confirmado que estava com R$ 5 milhões em espécie no momento da prisão – indica a sofisticação e o alcance das operações ilícitas atribuídas a ele, envolvendo grandes somas de dinheiro e um elaborado esquema de ocultação.

O encontro no hotel de luxo e a denúncia de corrupção policial

O incidente que levou à prisão de Dell'Agnolo e à investigação dos PMs ocorreu em 6 de dezembro, em um requintado hotel de Itapema. Conforme a denúncia detalhada, os policiais militares Bruno Israel dos Santos Czerwonka e Milton Prestes dos Santos Junior foram os primeiros a atender a uma ocorrência que indicava o paradeiro do foragido. No entanto, em vez de cumprirem o mandado de prisão, a acusação é que eles teriam negociado a liberdade de Dell'Agnolo. Supostamente, os PMs saíram do local com R$ 500 mil e uma quantia não especificada em dólares, encerrando a ocorrência como uma mera 'averiguação de pessoa em atitude suspeita'.

A reviravolta e a prisão em flagrante dos policiais

A trama ganhou uma reviravolta quando, pouco tempo depois, uma nova denúncia acionou outra guarnição da Polícia Militar. Desta vez, os policiais que chegaram ao hotel identificaram corretamente o mandado de prisão em aberto contra José Osvaldo Dell'Agnolo e procederam com a detenção. Foi durante o depoimento de Dell'Agnolo que a suposta extorsão veio à tona. O foragido revelou que os dois PMs da primeira abordagem teriam lhe perguntado 'quanto vale sua liberdade' e, em seguida, aceitaram os R$ 500 mil e os dólares que ele havia separado em sua mala. Diante das informações conflitantes e da ausência de versões coerentes por parte dos primeiros policiais questionados, Bruno Czerwonka e Milton Prestes Junior foram presos em flagrante.

A decisão do STJ e a concessão de habeas corpus

A defesa dos policiais militares, por meio de pedidos de habeas corpus, buscou a revisão da prisão cautelar. Recentemente, a decisão do Ministro Relator Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi favorável aos acusados. O magistrado concedeu o habeas corpus impetrado pela defesa de Bruno Czerwonka, estendendo a decisão também a Milton Prestes Junior. A principal justificativa para a revogação da prisão preventiva baseou-se no entendimento de que a medida era desproporcional.

Os fundamentos da soltura e as condições impostas

O Ministro Fonseca argumentou que Bruno Czerwonka é réu primário, não praticou violência e já havia cumprido nove meses de detenção sem uma sentença condenatória. Estes fatores foram cruciais para a avaliação de que a manutenção da prisão preventiva não se justificava, especialmente em um contexto onde outras medidas poderiam garantir o andamento do processo. Embora o STJ não tenha fixado medidas cautelares diretas, o juízo competente da comarca determinou que os policiais deverão comparecer a todos os atos do processo e estão proibidos de se ausentar da comarca por um período superior a dez dias. Tais condições visam assegurar o acompanhamento judicial e evitar obstrução à justiça, enquanto os PMs respondem ao processo em liberdade.

A defesa dos policiais e a presunção de inocência

Representado pelo escritório Belens Advocacia, o policial militar Bruno Czerwonka teve sua defesa técnica reafirmando a inocência do cliente. O advogado Guilherme Belens destacou que a decisão do Ministro Relator materializa a argumentação da defesa desde o início das investigações: a inexistência de fundamento idôneo ou proporcional para justificar a prisão preventiva. A defesa de Czerwonka enfatizou sua total cooperação com a investigação e a instrução processual, que, segundo eles, se aproxima do encerramento. A presunção de inocência é um pilar do sistema jurídico, e os advogados reforçam que, até o trânsito em julgado, seus clientes devem ser tratados como inocentes.

Embora a declaração completa da defesa de Milton Prestes Junior não tenha sido totalmente fornecida na fonte original, a extensão da decisão do STJ a ele indica que argumentos similares de desproporcionalidade da prisão e a ausência de violência na conduta foram considerados válidos também em seu caso. Ambos os policiais negam veementemente o crime de corrupção, e o processo legal seguirá para apurar a verdade dos fatos.

Implicações e o impacto na confiança pública

Este caso complexo em Santa Catarina, envolvendo um foragido por fraude bilionária e acusações de corrupção contra agentes da própria Polícia Militar, tem profundas implicações. Além da gravidade dos crimes financeiros, as suspeitas de que policiais teriam falhado em seu dever e, pior, participado de um esquema de suborno, abalam a confiança da população nas instituições de segurança pública. A transparência e a rigorosa apuração dos fatos são essenciais para reafirmar o compromisso com a justiça e para garantir que a sociedade continue a confiar na integridade de quem tem o dever de proteger e fazer cumprir a lei. O desenrolar deste processo será acompanhado de perto, pois é um teste para o sistema judicial e para a própria corporação policial.

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Fonte: https://g1.globo.com

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