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Morte de corretora gaúcha esquartejada em Florianópolis: o que se sabe e o que falta saber

G1

O desaparecimento e posterior confirmação da morte brutal da corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, lançaram uma sombra de choque e consternação sobre a comunidade de Florianópolis e, especialmente, sobre o bairro do Santinho, no Norte da Ilha, onde ela residia. O caso, que se desdobrou rapidamente em uma complexa investigação de latrocínio (roubo seguido de morte), culminou na prisão de três suspeitos, todos com ligação direta com o mesmo conjunto residencial da vítima. Os detalhes do crime, que envolveu esquartejamento e descarte do corpo em uma área rural de Major Gercino, a cerca de 60 quilômetros da capital catarinense, revelam a frieza dos criminosos e a dedicação da Polícia Civil para elucidar os fatos e trazer justiça à família de Luciani.

Luciani, natural de Alegrete, no Rio Grande do Sul, havia escolhido Florianópolis como seu lar, buscando oportunidades no promissor mercado imobiliário da região. No Santinho, bairro conhecido por suas belezas naturais e sua atmosfera tranquila, ela vivia sozinha em um apartamento e atuava ativamente tanto como corretora quanto como administradora de imóveis. Sua rotina era marcada pelo trabalho e por um contato diário e ininterrupto com sua família, que permanecia em seu estado natal. Essa conexão frequente seria um dos pilares que, mais tarde, alertaria seus entes queridos sobre seu sumiço, desencadeando a cadeia de eventos que levaria à descoberta de um dos crimes mais chocantes registrados na ilha.

A descoberta macabra em Major Gercino

A trágica confirmação da morte de Luciani veio com a descoberta de partes de seu corpo na zona rural de Major Gercino, um pequeno município no Vale do Rio Tijucas. A localidade, pacata e com uma população de pouco mais de três mil habitantes, contrastava drasticamente com a efervescência de Florianópolis. O fato de os restos mortais terem sido encontrados em um córrego, divididos em cinco pacotes distintos e descartados sob uma ponte, evidenciou a brutalidade e a premeditação dos atos criminosos. A polícia trabalhou arduamente para a identificação, que só foi possível devido à colaboração da família e às evidências coletadas na cena e durante a investigação.

A distância entre o local do crime, provavelmente o apartamento da vítima no Santinho, e o ponto de descarte em Major Gercino, sugere um planejamento para ocultar os vestígios e dificultar a elucidação. A utilização do próprio veículo de Luciani para o transporte dos restos mortais foi um detalhe crucial que, somado a outras provas, ajudou os investigadores a traçar a rota dos criminosos e a entender a dinâmica do crime.

O alerta da família e o início da investigação

O desaparecimento de Luciani foi registrado oficialmente pela família na segunda-feira, 11 de março, mas os primeiros sinais de que algo estava errado surgiram dias antes. Seu irmão, Matheus Estivalet Freitas, relatou que Luciani havia sido vista pela última vez em 4 de março. No entanto, o que realmente acendeu o alerta e transformou a preocupação em desconfiança foram as mensagens atípicas enviadas do celular da corretora.

Acostumados ao contato diário e à comunicação clara de Luciani, os familiares notaram erros gramaticais incomuns nas mensagens, um detalhe sutil, mas significativo, que levantou suspeitas. A ausência de um telefonema ou mensagem de aniversário para a mãe, em 6 de março, um dia tão importante na família, selou a convicção de que não era Luciani quem estava se comunicando, ou que algo grave havia acontecido. Essa percepção aguçada e o registro do desaparecimento foram o ponto de partida para a atuação da Polícia Civil, que prontamente iniciou as buscas.

Quem eram Luciani Aparecida Estivalet Freitas e os suspeitos?

A vítima: Luciani

Luciani Aparecida Estivalet Freitas, aos 47 anos, era uma figura atuante em seu meio. Além de corretora de imóveis, se identificava nas redes sociais como administradora de imóveis e turismóloga, o que reflete sua paixão pela região e seu engajamento profissional. Vinda de Alegrete, no Rio Grande do Sul, ela havia construído uma vida independente em Florianópolis, mantendo fortes laços com suas raízes familiares. Sua capacidade de comunicação e seu bom relacionamento eram características notáveis, o que tornou sua ausência ainda mais alarmante para aqueles que a conheciam e conviviam com ela.

Os suspeitos e suas ligações com a vítima

A investigação da Polícia Civil rapidamente direcionou o foco para o entorno da vítima, revelando que os suspeitos não eram estranhos. Três indivíduos foram presos: Ângela Maria Moro, de 47 anos, que administrava o conjunto residencial onde Luciani morava; Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, vizinho de porta da corretora; e Letícia Jardim, de 30 anos, namorada de Matheus. A proximidade física e a relação de vizinhança entre os envolvidos destacam a vulnerabilidade da vítima e a complexidade das relações interpessoais que podem se transformar em cenários de crime.

É importante notar que outros membros da família de Matheus, como sua mãe e seu irmão adolescente de 14 anos, também foram ouvidos pela polícia. O adolescente chegou a ser encontrado com produtos comprados no nome de Luciani, levantando suspeitas iniciais, mas, até o momento, não foram indiciados em nenhum crime. Este aspecto ressalta a minúcia da investigação e a busca por identificar todos os envolvidos e suas respectivas responsabilidades.

As prisões e o histórico criminal

As prisões dos suspeitos ocorreram em diferentes momentos e locais, demonstrando a agilidade da força-tarefa policial. Ângela Maria Moro foi detida em Florianópolis, inicialmente sob a acusação de receptação, após a descoberta de pertences de Luciani em um dos apartamentos que ela administrava. Contudo, durante a audiência de custódia, a gravidade dos indícios levou o juiz a converter a prisão em temporária por 30 dias, já considerando a possibilidade de homicídio. Essa mudança na tipificação inicial da prisão reflete a evolução das provas e o aprofundamento das investigações.

O casal Matheus Vinícius Silveira Leite e Letícia Jardim foi localizado e preso na sexta-feira, 13 de março, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A fuga para o Rio Grande do Sul, estado natal da vítima e de Matheus, indicou uma tentativa de se evadir da justiça catarinense, mas a cooperação entre as polícias garantiu a captura.

Um detalhe perturbador revelado pela Polícia Civil é o histórico criminal de Matheus Vinícius Silveira Leite. Ele era foragido da justiça de São Paulo por um latrocínio cometido em 2022, na cidade de Laranjal Paulista, onde um proprietário de padaria foi morto a tiro durante um assalto. Esse precedente adiciona uma camada de brutalidade e reincidência ao perfil de um dos principais suspeitos, sugerindo um padrão de violência em crimes de roubo, o que reforça a hipótese de latrocínio no caso de Luciani.

A motivação e os desdobramentos da investigação

A principal linha de investigação aponta para o latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. A utilização do CPF de Luciani para realizar compras após seu desaparecimento foi um dos primeiros indícios que a polícia utilizou para rastrear os suspeitos. Os endereços de entrega dos produtos, todos em Florianópolis, foram monitorados, e essas informações foram cruciais para a identificação e localização dos envolvidos. A polícia trabalha com a hipótese de que, após o roubo, o crime escalou para o assassinato e, posteriormente, para o esquartejamento e descarte do corpo, talvez na tentativa de eliminar provas e dificultar a identificação da vítima.

O que foi encontrado no apartamento de Luciani, além dos pertences roubados, são peças fundamentais para a reconstrução da cena do crime e para a compreensão da sequência de eventos. A perícia no local, a análise de dados de telefone e bancários, e os interrogatórios dos suspeitos são elementos que, em conjunto, permitem à Polícia Civil montar o quebra-cabeça e solidificar a acusação. Até o momento, a recuperação completa dos restos mortais da vítima ainda era um dos desafios da investigação, embora o tronco já tivesse sido localizado, o que permitiu a identificação formal.

Este caso chocante ressalta a importância da atenção aos detalhes e da comunicação constante entre familiares e amigos. A perspicácia da família de Luciani ao notar as mudanças nas mensagens foi um fator determinante para que a polícia fosse acionada e o crime começasse a ser desvendado. A comunidade de Florianópolis, especialmente no bairro do Santinho, acompanha o desenrolar das investigações, buscando respostas e justiça para a corretora gaúcha cuja vida foi interrompida de forma tão cruel.

Acompanhar de perto o desenrolar de casos como o de Luciani é fundamental para entendermos a realidade de nossa cidade e a incansável busca por justiça. Fique por dentro de todas as atualizações e análises aprofundadas sobre este e outros temas que impactam a vida em Palhoça e região. Acesse o Palhoça Mil Grau para mais notícias, reportagens exclusivas e conteúdos que importam para você.

Fonte: https://g1.globo.com

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