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Mães fecham bar e comemoram a volta às aulas dos filhos com roda de samba e feijoada em Santa Catarina

G1

Em um cenário que desafia a rotina e redefine a celebração, um grupo de 130 mães de Palhoça, na Grande Florianópolis, transformou um bar local em um epicentro de alegria e descontração para marcar um momento crucial do ano: o retorno dos filhos às salas de aula. Longe das preocupações cotidianas e da logística infantil, a tarde de sexta-feira (13) foi dedicada a uma comemoração carnavalesca, embalada por roda de samba, uma farta feijoada e drinks refrescantes. Mais do que um simples evento, a iniciativa se consolidou como uma tradição no bairro Pedra Branca, simbolizando um merecido respiro e um fortalecimento vital do senso de comunidade.

Uma Tradição de Alívio e Conexão na Grande Florianópolis

O evento, que já soma dois anos de existência, nasceu de uma observação perspicaz da idealizadora, Priscila Marola Steinbach. Ao se mudar de São Paulo para Palhoça, Priscila percebeu a necessidade de um espaço para as mães se reconectarem consigo mesmas e entre si, transcendendo as conversas sobre piqueniques e parquinhos. A celebração da volta às aulas surge como uma válvula de escape após períodos intensos de dedicação integral aos filhos, oferecendo um momento de leveza e diversão adulta. Para muitas, as férias escolares, embora repletas de carinho e momentos especiais, também representam um esforço contínuo de conciliação e criatividade parental.

A ideia de criar essa confraternização surgiu de forma despretensiosa, após ouvir desabafos e percepções comuns entre as mães, que revelavam o desgaste e a busca por novas formas de entretenimento durante as longas férias. Frases como “Hoje é dia '900 e pouco' de janeiro”, “Não tenho mais brincadeira para inventar”, “O que fazer em dia de chuva?” e “Não tenho mais para onde ir” ecoavam na comunidade, evidenciando a saturação e a necessidade premente de um momento dedicado ao autocuidado e à interação social adulta.

O Cenário Festivo: Samba, Feijoada e Solidariedade Materna

A atmosfera do bar, escolhido a dedo, foi completamente transformada. Cantoria animada, plaquinhas temáticas com dizeres bem-humorados sobre o fim das férias e coreografias improvisadas deram o tom da festa. A celebração começou pontualmente às 12h e estendeu-se até as 17h, momento em que a cervejaria reabria para o público geral, deixando para trás um rastro de energia e sorrisos. A feijoada, servida no prato, e a variedade de drinks nas mãos das participantes complementaram a experiência, que se tornou um símbolo de união e celebração da resiliência feminina.

Vozes das Mães: A Necessidade de um Respiro Genuíno

Conciliando Múltiplas Jornadas e o Valor do Autocuidado

A arquiteta Michele Poloni, mãe de dois meninos de 12 e 4 anos, ressaltou a importância inestimável desses momentos. Para ela, que como tantas mães se esforça para conciliar o trabalho, os cuidados com os filhos e a manutenção do lar, a festa representa um 'respiro', um 'momento só nosso, só da mãe'. Ao lado da amiga Elaine Chaves, Michele brindou à oportunidade de se divertir e fortalecer laços com outras mães que compartilham realidades semelhantes. Ela enfatiza a raridade desses encontros, sublinhando a necessidade de aproveitá-los ao máximo para recarregar as energias e nutrir a própria individualidade.

Liberdade e Foco para Rotinas Profissionais e Desenvolvimento Infantil

A designer Eliane, mãe de um menino de 9 anos, é uma frequentadora assídua do evento, não perdendo uma única edição. Para ela, o retorno às aulas de seu filho representa não apenas um tempo para si, mas também uma oportunidade de dedicar-se ao trabalho com maior calma e fluidez. Eliane reconhece que a escola é fundamental para o desenvolvimento do filho, não só para a aquisição de conhecimento, mas também para que ele possa extravasar a energia inerente à idade. Essa perspectiva destaca a interdependência entre o bem-estar materno e o desenvolvimento saudável da criança, mostrando como o espaço para a mãe impacta positivamente toda a dinâmica familiar.

Os relatos de Michele e Eliane ecoam uma realidade vivenciada por milhões de mulheres. A busca por um equilíbrio entre os múltiplos papéis — profissional, mãe, esposa, dona de casa — frequentemente culmina em sobrecarga. Eventos como este em Palhoça servem como um lembrete crucial da necessidade de priorizar o autocuidado e reconhecer o esforço contínuo da maternidade, oferecendo uma rede de apoio e compreensão mútua.

O Contexto Social e os Desafios da Maternidade no Brasil

Essa realidade desafiadora da mulher moderna foi robustamente evidenciada pelo estudo “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março de 2025. A pesquisa revelou que mulheres que atuam no mercado de trabalho dedicam, em média, quase 80% a mais do seu tempo a afazeres domésticos e cuidados com pessoas do que os homens. Este dado estatístico sublinha a profunda disparidade de gênero na divisão do trabalho não remunerado e contextualiza a necessidade vital de momentos de descompressão e apoio para as mães, como a celebração em Palhoça.

Pedra Branca: Um Bairro que Inspira Comunidade e Pertencimento

O evento ganhou força no bairro Pedra Branca, conhecido por ser um dos mais valorizados de Palhoça e da Grande Florianópolis. A região atrai muitos moradores de outras cidades e estados, que buscam qualidade de vida e um ambiente familiar. No entanto, essa mobilidade populacional frequentemente resulta em uma carência inicial de redes de apoio social e familiar. É nesse contexto que iniciativas como a de Priscila Marola Steinbach se tornam ainda mais relevantes. Ela também é a criadora do projeto “Sou Pedra Branca”, uma plataforma dedicada a conectar os moradores do bairro, fortalecer laços e promover o comércio local.

Priscila enfatiza que o evento não é apenas uma festa, mas uma oportunidade crucial para fortalecer o senso de comunidade, permitir que as mulheres se conectem, se conheçam e se acolham mutuamente. Essa conexão é fundamental para o pertencimento, especialmente para recém-chegadas que ainda não conhecem ninguém. O grupo diverso de participantes, que inclui empresárias e mães donas de casa, reflete a pluralidade da comunidade de Pedra Branca e a universalidade da necessidade de apoio e interação.

Evolução e Perspectivas para as Próximas Edições

A tradição da celebração de volta às aulas tem evoluído a cada edição. A última festa, realizada em 13 de fevereiro de 2025, um ano antes da edição atual, já contava com atrações como flash tattoo, um DJ animando o ambiente e jogos em grupo, como o popular “Stop”. A expectativa é que as próximas edições continuem a crescer, atraindo ainda mais mães e oferecendo um número maior de vagas, consolidando o evento como um pilar anual no calendário social de Palhoça.

É importante notar que, embora o ano letivo de 2026 na rede estadual de ensino de Santa Catarina esteja programado para iniciar apenas em 19 de fevereiro, a maioria dos filhos das mães participantes já havia retomado as atividades escolares em instituições particulares da região na segunda-feira anterior, dia 9. Essa diferença no calendário escolar permitiu que o evento ocorresse em um momento de real 'liberdade' para as mães, alinhando-se perfeitamente com o propósito da celebração.

A festa das mães em Palhoça transcende a simples celebração. É um manifesto de sororidade, um reconhecimento do papel multifacetado da mulher e um alívio coletivo após a intensidade das férias escolares. Em meio a samba, feijoada e risadas, essas mães de Pedra Branca construíram não apenas uma tradição, mas uma rede de apoio essencial, mostrando a força da comunidade e a importância de dedicar um tempo para si mesmas, celebrando juntas as pequenas vitórias da rotina.

Curioso para saber mais sobre as histórias inspiradoras e os eventos que movimentam a nossa comunidade? Não perca nenhuma atualização e continue explorando o Palhoça Mil Grau para ficar por dentro de tudo o que acontece na nossa querida Palhoça!

Fonte: https://g1.globo.com

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