A história de <b>Luciani Aparecida Estivalet Freitas</b>, corretora de imóveis gaúcha encontrada esquartejada em <b>Santa Catarina</b>, ganhou contornos ainda mais pungentes com a revelação da sua profunda e afetuosa relação com seus animais de estimação. Muito além da brutalidade do crime que chocou o país, emerge o perfil de uma mulher dedicada aos seus “filhos de quatro patas”, uma paixão que mobilizou buscas intensas e trouxe um sopro de alívio à família enlutada. Seus dois pets, a gata <b>Clarinha</b> e a cadela <b>Kiara</b>, eram mais do que companheiras; eram o centro de seu mundo, um reflexo de sua capacidade de amar e cuidar, agora resgatadas e sob os cuidados de seus familiares, trazendo um raro momento de luz em meio à escuridão da tragédia.
A vida dedicada aos "filhos de quatro patas"
As redes sociais de Luciani eram um verdadeiro diário de sua devoção animal. Com posts repletos de carinho e gratidão, ela não hesitava em se definir como uma verdadeira "mãe de pet e babona". Suas publicações demonstravam uma conexão intensa com Clarinha e Kiara, tratadas por ela como "filhas" e pilares de apoio emocional em seu dia a dia. Para Luciani, a felicidade e segurança de seus animais eram fontes inesgotáveis de alegria e paz, como expressou em um de seus posts: "Amo ver elas seguras em casa, bem alimentadas e felizes, amo vocês Clara e Kiara".
Em seus relatos, Luciani descrevia a rotina em casa como um ambiente vibrante, onde a presença de Clarinha e Kiara era constante e vital. A gata <b>Clarinha</b> era sua "filha número 1", a guardiã de sua energia e estabilidade emocional, mantendo seu ânimo sempre elevado. Já a cadela <b>Kiara</b>, a "filha número 2", era sinônimo de alegria, a força motivadora que a "tirava da cama quando [estava] nos [seus] dias difíceis". Essas descrições não apenas humanizam a relação, mas também sublinham a importância terapêutica e incondicional que os animais desempenhavam em sua vida, sendo um refúgio e uma fonte de consolo.
A paixão de Luciani pelos animais ia além de seu próprio lar. Poucas semanas antes de seu desaparecimento, em fevereiro deste ano, ela demonstrou sua empatia e senso de justiça animal ao publicar um vídeo de Kiara com a legenda: "Orelha, estamos com você pela Justiça". Essa era uma homenagem ao "cão comunitário" que havia morrido após ser brutalmente agredido em <b>Santa Catarina</b> em janeiro, um caso que gerou grande comoção e mobilização popular. A atitude de Luciani evidenciava sua sensibilidade e alinhamento com a causa da proteção animal, mostrando que seu amor pelos pets era parte integrante de sua identidade e valores.
A cronologia de um desaparecimento e a chocante descoberta
O desaparecimento de Luciani iniciou uma jornada angustiante para sua família. Ela foi vista pela última vez em 4 de março. A ausência de contato diário, tão comum entre Luciani e seus familiares, alertou o irmão, <b>Matheus Estivalet Freitas</b>, que registrou o desaparecimento na segunda-feira, 9 de março. A situação se tornou ainda mais alarmante quando mensagens supostamente enviadas por Luciani continham uma série de erros gramaticais incomuns para ela, levantando as primeiras suspeitas de que algo estava errado. A omissão de Luciani em parabenizar a mãe no aniversário dela, em 6 de março, reforçou a desconfiança da família.
A investigação policial rapidamente apontou para um cenário criminoso. Foram identificadas compras online feitas em nome da vítima, utilizando seu CPF, um indício claro de fraude e possível latrocínio. A descoberta mais sombria ocorreu na quarta-feira, 11 de março, quando um corpo esquartejado foi encontrado em <b>Major Gercino</b>, uma cidade localizada a cerca de 60 km de <b>Florianópolis</b>. A confirmação de que os restos mortais eram de Luciani veio na sexta-feira, 13 de março, mergulhando a família e a comunidade em profunda dor.
Detalhes chocantes da investigação revelaram a crueldade do crime: as partes do corpo de Luciani foram divididas em cinco pacotes distintos e transportadas no próprio carro da vítima até uma ponte em uma área rural de <b>Major Gercino</b>, onde foram jogadas em um córrego. Apenas uma das sacolas foi localizada, dificultando ainda mais o trabalho da perícia e adicionando uma camada de horror à já trágica situação, evidenciando a frieza e a premeditação dos envolvidos no assassinato.
A emocionante busca e o resgate de Clarinha e Kiara
Com a confirmação da morte de Luciani, a preocupação imediata se voltou para o paradeiro de seus amados pets. A mobilização nas redes sociais foi intensa, com pedidos de ajuda e compartilhamento de informações para localizar Clarinha e Kiara. A comunidade, ciente do afeto de Luciani pelos animais, uniu-se à família na esperança de um final feliz para os bichinhos, que agora se encontravam desamparados.
O delegado <b>Anselmo Cruz</b> foi fundamental no resgate de <b>Kiara</b>. A cadela foi encontrada "perdida pela rua" na <b>Praia do Santinho</b>, em <b>Florianópolis</b>. "O que era uma preocupação. Inclusive, fomos demandados sobre isso", relatou o delegado, mostrando a sensibilidade da polícia em atender à demanda pública. O resgate de Kiara representou um primeiro alívio, mas a busca por Clarinha continuava.
A gata <b>Clarinha</b> foi avistada nas imediações de uma pousada na região, ainda assustada e arisca devido ao trauma. Uma funcionária do local agiu prontamente, acionando a médica veterinária <b>Kátia Chubaci</b>, conhecida ativista animal, que providenciou o resgate seguro. Kátia compartilhou nas redes sociais o momento, descrevendo o estado inicial de Clarinha, mas garantindo que ela "já se acalmou, já entendeu que está segura". A dedicação de profissionais e voluntários foi essencial para o sucesso da operação.
A entrega dos animais aos irmãos de Luciani foi um momento de emoção agridoce. Os irmãos buscaram Clarinha na segunda-feira, 16 de março, enquanto Kiara, que havia sido levada inicialmente para um órgão municipal de assistência, foi reunida à família no dia seguinte. Matheus postou em suas redes sociais: "Kiara já está conosco", selando o reencontro e garantindo que o legado de amor de Luciani por seus animais seria mantido, oferecendo um pequeno conforto em meio à dor imensa.
A investigação: latrocínio e prisões
A <b>Polícia Civil de Santa Catarina</b> não tardou em avançar na elucidação do crime. A natureza hedionda do assassinato e o desaparecimento dos bens da vítima rapidamente levaram à classificação do caso como latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Esse tipo de crime é particularmente grave, pois a violência extrema é empregada com o objetivo de assegurar o proveito de um roubo. A motivação financeira, portanto, esteve no cerne da brutalidade infligida a Luciani.
As investigações, que incluíram análises de evidências forenses, rastreamento de movimentações financeiras e testemunhos, culminaram na prisão de três indivíduos suspeitos de envolvimento direto no latrocínio. A rápida resposta das autoridades demonstrou o compromisso em dar uma resposta à família da vítima e à sociedade. As prisões representaram um passo crucial para desvendar todos os detalhes do caso e garantir que os responsáveis sejam devidamente processados e punidos pela justiça, trazendo um fechamento necessário para este capítulo tão doloroso.
Além da tragédia: o legado de afeto e a mobilização social
A história de <b>Luciani Aparecida Estivalet Freitas</b>, embora marcada por uma tragédia inominável, transcende a narrativa do crime e se transforma em um testemunho do profundo e incondicional amor entre humanos e animais. Sua vida, permeada pela alegria e pelo carinho que recebia de <b>Clarinha</b> e <b>Kiara</b>, ressoa como um lembrete da importância desses laços. A mobilização em torno do resgate de seus pets, impulsionada pelas redes sociais, não apenas demonstrou a força da compaixão coletiva, mas também sublinhou o poder da internet como ferramenta para causas humanitárias e de proteção animal, mesmo em circunstâncias tão dolorosas.
O caso de Luciani também levanta discussões importantes sobre segurança urbana, a vulnerabilidade de indivíduos e a complexidade das relações humanas que podem culminar em atos de extrema violência. Contudo, em meio à dor e à busca por justiça, permanece a imagem de uma mulher cuja maior paixão era a vida compartilhada com seus "filhos de quatro patas". Seus animais, agora seguros, carregam consigo a memória de uma "mãe de pet e babona", cujo amor era tão vasto que ecoou para além dos limites de sua própria existência, tocando corações e movendo montanhas em uma busca solidária e emocionante.
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Fonte: https://g1.globo.com