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‘Milagre ter sobrevivido’, diz policial sobre idosa sequestrada e abandonada amarrada em ribanceira em SC

G1

A história de uma idosa de 71 anos, sequestrada em Biguaçu e abandonada amarrada em uma ribanceira entre Blumenau e Gaspar, Santa Catarina, chocou o país, mas também ressoa como um testemunho notável de resiliência. O caso, que mobilizou intensas equipes de resgate e investigação, ganhou destaque com o relato impactante de um policial civil, que descreveu a sobrevivência da vítima como um 'milagre de Deus'. Este episódio brutal não apenas expôs a crueldade de um crime premeditado, mas acendeu um debate crucial sobre a vulnerabilidade de idosos e a reincidência criminosa no contexto de um sistema de justiça em constante desafio.

O resgate heroico contra todas as probabilidades

A.M., a idosa de 71 anos, foi encontrada em 8 de maio, após passar um dia e uma noite inteiros sob condições desumanas. O sequestro havia ocorrido em Biguaçu, na Grande Florianópolis, e ela foi localizada em uma área de mata fechada, a cerca de 100 quilômetros de distância, em uma ribanceira de aproximadamente 200 metros de profundidade entre Blumenau e Gaspar, no Vale do Itajaí. O policial civil envolvido no resgate descreveu a cena com termos dramáticos em documento enviado à Justiça: 'Ela estava com pouca roupa, as roupas molhadas e foi a noite mais fria do ano. Se ela ficasse mais tempo ali, ela iria a óbito com certeza. Dessa noite ela não passaria'. A operação de salvamento foi complexa, exigindo quatro horas de buscas intensas em terreno acidentado. A pronta recuperação da vítima, que recebeu alta hospitalar já em 9 de maio, ressalta sua notável força física e mental frente a um trauma tão profundo e às extremas condições climáticas a que foi submetida, reforçando a percepção de sua sobrevivência como um verdadeiro milagre.

Maicon de Moura: o predador com 18 condenações

O principal suspeito, Maicon de Moura, de 42 anos, possui um vastíssimo e alarmante histórico criminal, acumulando 18 condenações na Justiça. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) detalhou sua ‘extensa folha de antecedentes’, que inclui roubos, furtos, receptação, posse de droga e, principalmente, estelionatos. Maicon era notoriamente conhecido por aplicar os chamados golpes 'Don Juan' ou 'estelionato sentimental', uma modalidade criminosa onde ele explora a confiança e a fragilidade emocional de mulheres para obter vantagens financeiras e patrimoniais. O agravante é que, no momento do sequestro, ele estava cumprindo pena em regime aberto, expondo falhas no monitoramento de criminosos de alta periculosidade e a necessidade de aprimoramento das políticas de segurança. Em depoimento, Maicon confessou o crime, justificando-o pela necessidade de quitar uma dívida de R$ 20 mil com uma facção criminosa que o ameaçava. Sua escolha por uma idosa como alvo foi, segundo ele, porque a considerava um 'alvo mais fácil', uma declaração que revela a frieza e a covardia de suas ações contra os mais vulneráveis.

A escalada do crime e a rápida captura

A cronologia dos fatos teve início de forma enganosa: Maicon e a vítima se conheceram em um 'bailão' em 6 de maio. No dia seguinte, 7 de maio, Maicon marcou um encontro que rapidamente se transformou em sequestro e roubo. Ele forçou a idosa a entrar no porta-malas do próprio carro dela, iniciando uma viagem de terror de Biguaçu, na Grande Florianópolis, até a ribanceira entre Blumenau e Gaspar, no Vale do Itajaí. Lá, a vítima foi cruelmente amarrada com fita adesiva e abandonada ao frio e ao relento. A captura de Maicon de Moura ocorreu em 8 de maio, por volta das 14h, em Joinville. Após uma tentativa inicial de fuga, ele foi detido e, supostamente arrependido ao saber que a idosa ainda não havia sido encontrada, confessou o crime, indicando o local exato onde havia deixado A.M. Essa informação foi vital para o resgate bem-sucedido. Sua prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva na quinta-feira (9), mantendo-o sob custódia enquanto o inquérito policial investiga a possível participação de outros cúmplices.

Lições e a busca contínua por justiça

O delegado Murillo Batalha continua à frente do inquérito policial, que busca esclarecer todos os detalhes e identificar possíveis coautores deste crime hediondo. A complexidade do caso, que envolve desde a exploração de vulneráveis até a conexão com o submundo das facções criminosas, demanda uma investigação rigorosa e um firme compromisso com a justiça. A defesa de Maicon, em nota, salientou a presunção de inocência e o estágio inicial do processo, sem adentrar o mérito dos fatos, como garantido pela Constituição Federal. Este brutal episódio é um alerta severo para a sociedade e para as autoridades: é imperativa uma maior proteção aos idosos, que são alvos fáceis, e um aprimoramento contínuo do sistema de justiça criminal para coibir a reincidência de criminosos com histórico tão extenso. A resiliência da vítima é um símbolo de esperança, mas a barbárie imposta é um lembrete sombrio dos desafios contínuos na luta contra o crime e pela garantia de justiça plena.

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Fonte: https://g1.globo.com

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