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Documento de 2022 já apontava risco de colapso na Ponte Anita Garibaldi, e empresa quer limitar carga máxima

G1

A interdição emergencial da Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, no Sul de Santa Catarina, que se iniciou na quinta-feira, 9 de julho, expôs uma situação preocupante que vinha sendo monitorada há pelo menos dois anos. Um documento datado de 2022, obtido pelo g1 SC, já alertava sobre falhas estruturais e um potencial risco de colapso na importante via, uma das mais emblemáticas e estratégicas do estado. A revelação traz à tona questões cruciais sobre a manutenção e a segurança de infraestruturas vitais, levantando debates sobre a gestão de obras de grande porte e a transparência nas informações sobre sua condição.

A Ponte Anita Garibaldi: Um Pilar Estratégico para Santa Catarina

Inaugurada em 2015, a Ponte Anita Garibaldi é uma estrutura fundamental para o escoamento da produção e o fluxo de veículos na BR-101 Sul, conectando o Sul do Brasil ao Sudeste. Com seus impressionantes 2,8 quilômetros de extensão e sendo a primeira ponte estaiada em curva do Brasil, sua complexidade arquitetônica e engenharia a tornam um marco, mas também um desafio contínuo em termos de manutenção. Sua interdição não afeta apenas o tráfego local, mas impacta diretamente a logística e a economia de toda a região e do país, dada a relevância da BR-101 como corredor de transporte.

Os Primeiros Alertas: O Documento de 2022 e o Risco de Colapso

O documento em questão, datado de 10 de outubro de 2022 e endereçado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), era resultado de uma sondagem aprofundada na ponte. Este estudo técnico identificou problemas significativos tanto na estrutura do vão central quanto no vão lateral. Entre as falhas mais alarmantes, destacou-se o rompimento de quatro barras que exerciam a função crucial de ligar a laje inferior aos blocos da ponte. As barras, neste contexto, são elementos estruturais de ancoragem que garantem a coesão e a estabilidade da laje, e seu rompimento compromete diretamente a integridade do conjunto.

A concessionária ViaCosteira, responsável pela administração da ponte, afirmou na época ter executado as intervenções necessárias, com acompanhamento técnico especializado, para restabelecer as condições previstas. No entanto, a recorrência dos problemas levanta questionamentos sobre a eficácia dessas primeiras ações e a natureza real das patologias identificadas.

Detalhes Técnicos das Falhas de 2022

O relatório de 2022 apontava especificamente: aberturas entre as aduelas 06-07 e 14-15 do vão central 35C, bem como nas aduelas 08-09 no vão lateral 35L. Aduelas são os segmentos pré-moldados de concreto que compõem a estrutura do tabuleiro da ponte. Fissuras ou aberturas entre elas podem indicar movimentações anormais ou falhas na conexão, permitindo a entrada de água e comprometendo a armadura interna. O rompimento das quatro barras que ligavam a laje inferior entre as aduelas 06-07 era um sinal claro de sobrecarga ou fadiga material em pontos críticos da estrutura, aumentando o alerta para o risco de colapso.

A Escalada dos Problemas em 2023: Novas Recomendações e a Restrição de Carga

Mesmo após as intervenções de 2022, a situação da Ponte Anita Garibaldi continuou a ser motivo de preocupação. Em 25 de junho de 2023, uma nova comunicação da concessionária, baseada em relatórios adicionais, indicou a necessidade premente de restrição temporária de carga na ponte. A medida proposta limitaria o peso a 10 toneladas por eixo simples de caminhão com quatro pneus, em ambos os sentidos da via, por um período de aproximadamente seis meses. Essa restrição teria um impacto significativo no transporte de cargas pesadas, essenciais para a economia regional, exigindo que veículos maiores buscassem rotas alternativas ou realizassem transbordo, gerando custos e atrasos consideráveis.

A Interdição Atual: Cabo Rompido e Medidas de Emergência

O estopim para a interdição que se iniciou em julho de 2023 foi um relatório de 8 de julho deste ano, que apontou o rompimento de cabos entre estruturas do vão central. Uma inspeção especial identificou uma anomalia em um dos 90 cabos que compõem o complexo sistema estrutural da ponte estaiada. Segundo a ViaCosteira, houve o rompimento parcial de fios internos neste cabo, embora ele não tenha se partido completamente. No entanto, a gravidade da situação levou à decisão imediata de bloquear o tráfego nos dois sentidos para a realização de reparos emergenciais e aprofundamento das análises técnicas. A previsão inicial para a duração dos trabalhos e a reabertura da ponte é de 10 dias, estendendo-se até 20 de julho.

Processo de Descoberta e Tomada de Decisão

A ViaCosteira realiza inspeções visuais frequentes em todas as obras da BR-101 e promove duas inspeções especiais anuais na Ponte Anita Garibaldi. A primeira vistoria detalhada de 2023, realizada em abril, não apontou irregularidades. Contudo, a segunda, conduzida em julho, foi a responsável por identificar o rompimento parcial dos fios internos do cabo. A decisão de interditar a estrutura foi tomada imediatamente após a conclusão do relatório técnico, evidenciando a urgência e a seriedade do problema detectado.

O Desafio da Engenharia e a Busca por Documentos Originais

Desde 2022, a concessionária tem buscado documentos que detalhem a construção da ponte. Uma comunicação datada de 6 de julho ressaltou que a “recuperação do histórico executivo da obra é importante para uma avaliação mais conclusiva das causas das ocorrências e do comportamento estrutural da ponte”. A falta de documentação completa pode dificultar o diagnóstico preciso das falhas e a escolha das soluções de reparo mais adequadas, uma vez que a compreensão das condições originais de projeto e execução é fundamental para a engenharia de manutenção de estruturas complexas como esta.

Impactos Diretos na Mobilidade e Economia Regional

A interdição da Ponte Anita Garibaldi causou transtornos imediatos e significativos para motoristas e para a economia de Laguna e arredores. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou congestionamentos de até 6 quilômetros na BR-101. Para mitigar o impacto, novas rotas foram estabelecidas, e o uso de balsas foi intensificado para desafogar o trânsito e facilitar o acesso a Laguna, especialmente para o turismo e o comércio local.

Rotas de Desvio Implementadas

Para o sentido Sul (Porto Alegre), o desvio inicia no km 311 da BR-101, direcionando os veículos para a via marginal e, em seguida, pela Ponte de Cabeçudas até o bairro Bananal, de onde podem retornar à pista expressa. No sentido Norte (Florianópolis), os veículos devem acessar o desvio no km 315 (bairro Bananal), seguindo pela via marginal em direção à Ponte de Cabeçudas. A partir desse ponto, o trajeto continua até as proximidades do Posto Lagoa, pela pista marginal, que opera temporariamente em mão dupla para gerenciar o fluxo de veículos durante o período das obras.

Perspectivas Futuras e a Importância da Segurança Estrutural

A situação da Ponte Anita Garibaldi serve como um lembrete contundente da importância da manutenção preventiva e do monitoramento contínuo de grandes obras de infraestrutura. Os alertas de 2022, seguidos pelas ocorrências em 2023, sublinham a necessidade de que os órgãos reguladores, como a ANTT, e as concessionárias atuem de forma proativa e transparente, garantindo a segurança dos usuários. A busca por documentos originais de construção destaca a relevância de um histórico completo para a vida útil dessas estruturas. A resolução deste problema na Ponte Anita Garibaldi será um teste da capacidade de resposta da engenharia brasileira e um indicativo da atenção dedicada à segurança das nossas vias.

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Fonte: https://g1.globo.com

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