PUBLICIDADE

Cardio ou musculação: o que fazer primeiro? especialistas esclarecem

1 de 1 Pessoas caminhando em esteiras de academia - Metrópoles - Foto: Getty Images

A dúvida sobre qual modalidade de exercício físico realizar primeiro – se o treinamento cardiovascular (cardio) ou a musculação – é uma das questões mais frequentes em academias e entre entusiastas da saúde e do bem-estar. Não é apenas uma questão de preferência, mas sim uma preocupação válida sobre como a ordem dos exercícios pode influenciar diretamente os resultados desejados, seja na busca por hipertrofia muscular, emagrecimento ou simplesmente na melhoria da saúde geral. Especialistas em fisiologia do exercício e cardiologia têm se debruçado sobre esse dilema, e a ciência oferece perspectivas valiosas para guiar a decisão individual.

O dilema da ordem dos exercícios: uma perspectiva científica

A interação entre o treinamento de força e o treinamento aeróbico tem sido objeto de diversos estudos nas últimas décadas. A principal preocupação reside no chamado “efeito de interferência”, que sugere que a combinação e, principalmente, a ordem dessas modalidades podem comprometer os ganhos em uma ou ambas as capacidades. Fisiologicamente, o corpo responde de maneiras distintas a cada tipo de estímulo. O treino de força ativa vias metabólicas relacionadas ao crescimento muscular (como a via mTOR), enquanto o cardio estimula vias adaptativas de resistência e uso de energia (como a via AMPK). A ativação simultânea ou consecutiva dessas vias pode gerar um “conflito” sinalizador que, teoricamente, diluiria os benefícios máximos de cada modalidade se realizadas em sequência imediata.

Impacto na hipertrofia muscular

Para quem tem como objetivo principal o aumento da massa muscular, a recomendação predominante, baseada em diversas evidências, é iniciar o treino com a musculação. Quando a musculação é realizada com os músculos 'frescos' e as reservas de energia (glicogênio) intactas, a performance é otimizada. Isso permite levantar cargas mais pesadas, realizar mais repetições e manter a intensidade necessária para estimular a síntese proteica e o crescimento muscular. Estudos indicam que a fadiga gerada pelo cardio prévio pode reduzir o volume total e a intensidade do treino de força, comprometendo assim os ganhos de hipertrofia. A prioridade do sistema nervoso central e a disponibilidade de ATP são cruciais, e o exercício aeróbico demanda uma parcela significativa desses recursos.

A ordem e o emagrecimento

No contexto do emagrecimento, a situação se torna um pouco mais matizada. O gasto calórico total é um fator crucial, e ambos os tipos de exercício contribuem. No entanto, a musculação, além de queimar calorias durante o treino, tem um efeito metabólico prolongado conhecido como EPOC (Excess Post-exercise Oxygen Consumption), que eleva o gasto energético basal nas horas seguintes ao exercício. Além disso, o aumento da massa muscular, promovido pela musculação, acelera o metabolismo em repouso, tornando o corpo mais eficiente na queima de gordura a longo prazo. Se o cardio for feito antes, a energia para a musculação pode ser menor, resultando em um estímulo menos eficaz para a construção muscular e para o EPOC. Quando o cardio é realizado após a musculação, alguns estudos sugerem que o corpo pode estar em um estado mais propício para oxidar gordura, já que as reservas de glicogênio muscular foram parcialmente depletadas durante o treino de força, levando o organismo a utilizar mais ácidos graxos como fonte de energia durante o aeróbico.

Melhora da saúde e performance geral

Para a saúde geral e a performance atlética, a combinação de cardio e musculação é inegavelmente benéfica. A musculação fortalece ossos, articulações e músculos, melhora a postura e previne lesões. O cardio, por sua vez, aprimora a saúde cardiovascular, a resistência pulmonar e a circulação. Para atletas que precisam de ambas as valências (força e resistência), a ordem pode depender da fase de treinamento ou do foco específico do dia. Em geral, se o objetivo é desenvolver uma capacidade específica, ela deve ser priorizada no início da sessão. Por exemplo, um corredor focado em resistência pode optar por uma corrida de longa duração antes de um treino de força mais leve para complementar, enquanto um levantador de peso focará primeiro na força. A chave é evitar a fadiga excessiva em uma modalidade que possa prejudicar significativamente a performance na outra, principalmente se realizadas na mesma sessão com pouco tempo de recuperação.

Recomendações dos especialistas e personalização

Diante das evidências, a maioria dos cardiologistas e fisiologistas do exercício converge para a ideia de que a ordem ideal depende fundamentalmente dos objetivos individuais do praticante. Se a hipertrofia e o ganho de força são primordiais, a musculação deve vir primeiro. Se o foco é exclusivamente na melhora da capacidade aeróbica, o cardio pode preceder, mas com a consciência de que pode impactar a performance subsequente na musculação. Uma estratégia frequentemente recomendada para otimizar ambos os resultados e minimizar o efeito de interferência é separar as sessões de cardio e musculação em momentos diferentes do dia, com algumas horas de intervalo, ou até mesmo em dias distintos. Essa abordagem permite que o corpo se recupere e que as vias metabólicas respondam de forma mais eficaz aos estímulos específicos de cada treino.

Outros fatores a considerar incluem o nível de condicionamento físico do indivíduo, a duração e intensidade de cada treino e a disponibilidade de tempo. Para iniciantes, qualquer ordem trará benefícios substanciais, e o mais importante é a consistência. Com a progressão, a atenção à ordem se torna mais relevante. Além disso, a hidratação e a nutrição adequadas desempenham um papel crucial na recuperação e nos resultados, independentemente da sequência escolhida. Um plano alimentar balanceado, com proteínas e carboidratos suficientes, é essencial para sustentar tanto o treino de força quanto o cardiovascular, otimizando a recuperação muscular e a reposição de glicogênio.

A importância da orientação profissional

Em última análise, a decisão sobre a ordem ideal entre cardio e musculação não deve ser tomada isoladamente. Consultar um profissional de educação física ou um treinador pessoal qualificado é crucial. Esses especialistas podem analisar seus objetivos específicos, seu histórico de saúde, seu nível atual de condicionamento e sua rotina para elaborar um plano de treino personalizado. Eles são capazes de adaptar a ordem, a intensidade, o volume e a frequência dos exercícios de maneira que maximizem seus resultados e minimizem riscos, garantindo que você esteja sempre treinando de forma segura e eficiente, seja para emagrecer, ganhar músculos ou simplesmente viver uma vida mais saudável.

Desvendar os segredos do treino eficaz pode parecer complexo, mas com as informações corretas e a orientação de especialistas, seus objetivos fitness ficam muito mais próximos. Esperamos que este aprofundamento tenha esclarecido suas dúvidas sobre a ordem ideal entre cardio e musculação. Quer continuar explorando temas que transformam sua saúde e bem-estar? Então, não pare por aqui! Navegue por outros artigos e guias completos no Palhoça Mil Grau e mantenha-se sempre à frente nas últimas novidades sobre saúde, esporte e qualidade de vida.

Fonte: https://www.metropoles.com

Leia mais

PUBLICIDADE