A comunidade catarinense foi abalada por um crime de extrema brutalidade que ganhou contornos ainda mais chocantes com o avanço das investigações. A corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, natural do Rio Grande do Sul, foi vítima de um assassinato hediondo em Florianópolis, e a Polícia Civil de Santa Catarina revelou detalhes macabros sobre o descarte de seu corpo. Segundo as autoridades, os principais suspeitos de cometer o crime não apenas tiraram a vida da corretora, mas também utilizaram o próprio carro da vítima, um veículo que ela provavelmente usava para suas atividades profissionais e pessoais, para transportar e se livrar dos restos mortais. Este método audacioso e cruel sublinha a frieza dos envolvidos e adiciona uma camada de horror à já trágica história.
O desfecho inicial dessa terrível trama se deu em Major Gercino, uma pequena cidade de aproximadamente 3,2 mil habitantes no interior de Santa Catarina, a mais de 100 quilômetros de Florianópolis. Foi lá, em uma área rural, que parte do corpo de Luciani foi encontrada na quarta-feira, 11 de outubro. Os criminosos dividiram o corpo em cinco pacotes distintos, com o objetivo claro de dificultar a identificação e a investigação. Esses pacotes foram levados até uma ponte isolada e, de lá, jogados em um córrego. Até o momento, apenas o tronco da vítima foi localizado, o que demonstra a complexidade da cena do crime e o desafio imposto às equipes de busca e perícia, que continuam trabalhando para reunir todos os fragmentos desse quebra-cabeça macabro.
A Teia de Conexões e os Primeiros Passos da Investigação
A Polícia Civil, em um trabalho minucioso e célere, conseguiu rastrear os primeiros indícios que levaram aos suspeitos. O desaparecimento de Luciani foi notificado pela família na segunda-feira, 9 de outubro, acendendo o alerta para as autoridades. Um ponto crucial para a elucidação do caso foi a identificação de compras online realizadas com o Cadastro de Pessoa Física (CPF) da vítima após seu desaparecimento. Essa pista, aparentemente simples, tornou-se o fio da meada que desvendou a participação de Ângela Maria Moro, de 47 anos, que atuava como administradora do conjunto residencial onde Luciani morava. Ângela foi a primeira a ser detida, na quinta-feira, 12 de outubro, inicialmente sob suspeita de receptação, pois pertences da corretora foram encontrados em sua posse. Embora tenha negado participação direta no assassinato, sua prisão foi fundamental para a progressão das investigações.
O caso se aprofundou com a revelação de que o crime está sendo investigado como latrocínio, que é o roubo seguido de morte, um dos delitos mais graves do Código Penal brasileiro. Três pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento. O que choca ainda mais é a proximidade entre vítima e agressores: todos moravam no mesmo condomínio no bairro Santinho, uma região turística e bastante procurada no norte da Ilha de Santa Catarina. Essa proximidade geográfica levanta questões perturbadoras sobre a segurança em condomínios e a confiança depositada em vizinhos e administradores.
Os Suspeitos: Vizinhança, Antecedentes e Múltiplas Conexões
Além de Ângela Maria Moro, a polícia identificou Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, como um dos principais articuladores do crime. Matheus era vizinho de porta de Luciani, uma relação de proximidade que facilita a execução de crimes dessa natureza. Ele foi preso na sexta-feira, 13 de outubro, e sua captura trouxe à tona um histórico criminal ainda mais sombrio: Matheus era foragido da justiça paulista, procurado por um latrocínio cometido em São Paulo. A namorada de Matheus, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades, também foi detida na mesma data, ampliando o leque de envolvidos diretos no assassinato.
O carro de Luciani, essencial para a fase de descarte dos restos mortais, foi encontrado em uma rua próxima ao local do crime após um dos suspeitos indicar sua localização. Este achado foi crucial para consolidar as evidências contra os acusados e desenhar o roteiro dos eventos que levaram à morte da corretora. A dinâmica de usar o próprio veículo da vítima para ocultar o crime é um traço de planejamento e audácia que as autoridades investigam para entender a extensão da premeditação.
O Envolvimento do Adolescente e a Mão Invisível
A investigação revelou uma camada adicional de complexidade com a figura de um adolescente de 14 anos, irmão de Matheus, que residia com ele. Este jovem foi flagrado no conjunto de apartamentos buscando encomendas que haviam sido compradas utilizando o CPF de Luciani. Embora sua responsabilidade no crime ainda esteja sendo definida pela polícia, sua participação na utilização dos dados da vítima após o assassinato é um ponto de atenção. A polícia, no entanto, esclareceu que a mãe dos irmãos, citada no termo de audiência de custódia, não é considerada suspeita do crime, focando as investigações naqueles diretamente ligados aos eventos.
Um Histórico de Violência: O Crime em São Paulo
A revelação de que Matheus Vinícius Silveira Leite era procurado por um latrocínio em São Paulo adiciona um elemento perturbador à sua ficha criminal e sugere um padrão de comportamento violento. Em 2022, ele é suspeito de assassinar João Batista Vieira, um comerciante de 65 anos, na cidade de Laranjal Paulista (SP). Câmeras de segurança registraram a ação durante a madrugada, e a identificação de Matheus foi possível graças a testemunhas e imagens, bem como à sua prévia relação com a vítima — ele havia trabalado como segurança na padaria de João Batista.
Naquela época, a polícia paulista já havia encontrado a blusa que o suspeito usou no dia do crime em um rio em Laranjal Paulista, e havia a suspeita de que a arma utilizada também poderia estar no local. Esse histórico de fuga e reincidência, com similaridades na brutalidade e na tentativa de ocultação de provas, acende um alerta sobre a periculosidade do indivíduo e a importância da cooperação entre as polícias estaduais para coibir a atuação de criminosos que transitam por diferentes regiões do país. O fato de ter conseguido se estabelecer em Florianópolis, mesmo com um mandado de prisão em aberto, demonstra as falhas no sistema de acompanhamento de foragidos e o risco que isso representa para a sociedade.
O Impacto na Comunidade e os Próximos Passos
A morte de Luciani Aparecida Estivalet Freitas e os detalhes sórdidos que vieram à tona causaram profunda consternação não só em Florianópolis e Major Gercino, mas em toda Santa Catarina. A vulnerabilidade de uma pessoa dentro de seu próprio lar, em um bairro que atrai turistas, e a proximidade entre vítima e agressores, são fatores que geram insegurança e um sentimento de desamparo na população. A Polícia Civil continua empenhada em finalizar as investigações, consolidar as provas e garantir que todos os responsáveis sejam devidamente processados e julgados. A busca pelos restos mortais ainda não encontrados de Luciani permanece, um doloroso lembrete da necessidade de dar à família o direito a um luto completo e digno. O caso reforça a importância da vigilância comunitária e da atuação incansável das forças de segurança para trazer justiça às vítimas e segurança à sociedade.
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Fonte: https://g1.globo.com