PUBLICIDADE

STF mantém cobrança de até R$ 200 para entrada de turistas em destino paradisíaco de SC

G1

Em um desfecho que solidifica uma década de controvérsia, o <b>Supremo Tribunal Federal (STF)</b> referendou a validade da <b>Taxa de Preservação Ambiental (TPA)</b> de Bombinhas, no litoral de Santa Catarina. A decisão unânime da Segunda Turma da Corte, proferida em 9 de outubro, rejeitou um recurso de deputados estaduais e confirmou o direito do município de cobrar o valor de visitantes. Este veredito, que encerra, ao menos por ora, uma série de questionamentos judiciais que perduraram desde a instituição da TPA em 2014, reforça a autonomia municipal na gestão de seus recursos naturais e na busca por um turismo mais sustentável.

O veredito do Supremo Tribunal Federal e seus fundamentos

A decisão do STF foi relatada pelo ministro Luiz Fux e contou com o acompanhamento dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça. A Segunda Turma agiu de forma coesa, consolidando o entendimento de que a TPA não configura um pedágio municipal, mas sim uma taxa legítima com finalidade ambiental específica. Esta clareza jurídica é fundamental para o planejamento e a continuidade das políticas de preservação em Bombinhas, uma vez que a cobrança vinha sendo alvo de contestação intensa, liderada principalmente pelo deputado estadual Ivan Naatz (PL).

A controvérsia legal: pedágio versus taxa ambiental

O cerne da disputa legal girava em torno de uma emenda à Constituição do estado de Santa Catarina, realizada em 2020, que proibia a criação de pedágios municipais. Os deputados estaduais argumentaram que a TPA de Bombinhas se enquadraria nessa categoria, tornando-a ilegal. No entanto, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) já havia validado a taxa, distinguindo-a de um pedágio. Um pedágio é geralmente uma tarifa cobrada pelo uso de uma infraestrutura (como uma estrada ou ponte), enquanto a TPA de Bombinhas é uma taxa com propósito ambiental, destinada a compensar o impacto gerado pelo fluxo de turistas e financiar ações de preservação.

Ao analisar o recurso, o ministro Luiz Fux e seus pares no STF entenderam que a discussão proposta pelos parlamentares buscava reexaminar uma lei municipal (a da TPA) à luz da Constituição estadual, sem que houvesse uma violação direta ou explícita à Constituição Federal. Esta é uma distinção processual crucial: a competência do Supremo se restringe a casos que envolvam a constitucionalidade de leis frente à Carta Magna do país. Dessa forma, a Corte declinou de julgar o mérito da questão sob a ótica da Constituição de Santa Catarina, deixando intacta a decisão do TJSC e, consequentemente, a cobrança da TPA.

Bombinhas: um santuário ambiental sob pressão turística

Com apenas 34,5 quilômetros quadrados, Bombinhas é a menor cidade em extensão territorial de Santa Catarina, mas um gigante em beleza natural e biodiversidade. O município abriga impressionantes 39 praias, muitas delas em enseadas isoladas e de difícil acesso, e cerca de 67% de seu território é coberto por áreas verdes e três unidades de conservação, incluindo o <b>Parque Municipal da Galheta</b> e a <b>Reserva Biológica Marinha do Arvoredo</b>. Reconhecida como a <b>Capital Nacional do Mergulho Ecológico</b>, suas águas cristalinas e vida marinha exuberante atraem entusiastas do mergulho de todo o Brasil e do mundo, que vêm desfrutar dos recifes e da rica fauna subaquática.

Apesar de sua beleza inquestionável, Bombinhas enfrenta um desafio imenso: o <b>turismo de massa</b>. Com uma população fixa de cerca de 25 mil moradores, a cidade recebe um volume anual de visitantes que pode chegar a 2,3 milhões, especialmente durante a alta temporada de verão. Esse afluxo de turistas multiplica a população local em até 18 vezes, gerando uma pressão colossal sobre a infraestrutura municipal – desde o sistema de saneamento básico e o abastecimento de água até o gerenciamento de resíduos, o trânsito e os serviços de saúde. A TPA surge como uma ferramenta essencial para mitigar esses impactos e garantir a perenidade dos ecossistemas locais.

O 'Oscar das Praias': o selo Bandeira Azul

Bombinhas é um dos poucos destinos brasileiros a ostentar o cobiçado <b>selo Bandeira Azul</b>, uma certificação internacional de excelência ambiental e de qualidade de água. O município possui atualmente cinco praias agraciadas com este reconhecimento – Praia da Conceição, Praia de Quatro Ilhas, Praia de Mariscal, Praia da Sepultura e Praia do Estaleiro – o que demonstra o compromisso contínuo com a gestão ambiental, a educação e a segurança. A TPA contribui diretamente para a manutenção dos rigorosos padrões exigidos pela Bandeira Azul, financiando ações que vão desde a limpeza das praias e a análise da qualidade da água até a promoção de programas de educação ambiental para turistas e moradores.

A Taxa de Preservação Ambiental (TPA): Como funciona e para que serve

Criada em 2014 e implementada a partir de 2015, a TPA de Bombinhas é uma taxa sazonal, cobrada de veículos que ingressam no município durante a temporada de maior fluxo turístico, geralmente de meados de novembro a abril. Os valores variam conforme o tipo de veículo: desde R$ 4,50 para motocicletas até R$ 191,50 para ônibus de turismo. A cobrança pode ser feita nos pontos de acesso à cidade, online ou em terminais de autoatendimento, buscando flexibilidade para o visitante. Importante ressaltar que veículos emplacados em Bombinhas e outras categorias específicas (como veículos de serviço) são isentos da taxa.

Os recursos arrecadados com a TPA são integralmente destinados a um fundo de gestão ambiental, que financia uma série de iniciativas cruciais para a sustentabilidade do município. Entre as medidas implementadas estão a recuperação de vegetação nativa em áreas degradadas, o isolamento e monitoramento de áreas em regeneração, a elaboração e execução de planos de manejo para parques municipais, o monitoramento ambiental marinho e costeiro, e a infraestrutura de tratamento de esgoto e coleta seletiva. Essa aplicação transparente e direcionada dos recursos é fundamental para justificar a cobrança e demonstrar o retorno do investimento para a preservação do patrimônio natural de Bombinhas.

Precedente e o futuro das taxas ambientais no Brasil

Bombinhas foi pioneira na instituição de uma taxa para visitantes no Brasil, um modelo ainda raro no país, mas que encontra paralelos em destinos igualmente procurados e ambientalmente sensíveis. <b>Fernando de Noronha (PE)</b>, por exemplo, cobra uma <b>Taxa de Preservação Ambiental (TPA)</b> baseada no número de dias de permanência do turista na ilha, enquanto <b>Jericoacoara (CE)</b> instituiu uma <b>Taxa de Turismo Sustentável</b> para custear a manutenção da infraestrutura local e a proteção de seus ecossistemas. A validação da TPA de Bombinhas pelo STF serve como um importante precedente jurídico, legitimando a adoção de mecanismos semelhantes por outras cidades que enfrentam desafios semelhantes de sustentabilidade em decorrência do turismo excessivo.

Esta decisão do Supremo não apenas garante a continuidade da arrecadação de fundos vitais para a proteção ambiental de Bombinhas, mas também envia uma mensagem clara sobre a importância da corresponsabilidade do turista. Ao pagar a taxa, o visitante contribui diretamente para a manutenção da beleza natural que o atrai, fomentando um modelo de turismo mais consciente e respeitoso. Para outros municípios brasileiros que ponderam a implementação de medidas similares, o caso de Bombinhas oferece um roteiro legal e uma validação da mais alta instância jurídica do país, pavimentando o caminho para um futuro onde a preservação ambiental e o desenvolvimento turístico andem lado a lado.

A manutenção da Taxa de Preservação Ambiental em Bombinhas pelo STF é um marco significativo para o turismo sustentável no Brasil. Ela reafirma o compromisso com a proteção de destinos naturais, garantindo que a beleza que nos encanta hoje possa ser desfrutada pelas futuras gerações. Para ficar por dentro de todas as notícias, análises aprofundadas e o que acontece em Santa Catarina e em nossa região, <b>continue navegando no Palhoça Mil Grau e não perca nenhum detalhe que impacta a sua vida!</b>

Fonte: https://g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE