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Otorrinolaringologista aponta as principais causas de surdez evitável

1 de 1 fone de ouvido - Foto: Pexels

A capacidade de ouvir é fundamental para a comunicação, interação social e segurança em nosso dia a dia. No entanto, milhões de pessoas em todo o mundo convivem com algum grau de perda auditiva, muitas vezes sem saber que essa condição poderia ter sido prevenida. Em um alerta crucial, um especialista em otorrinolaringologia destaca que fatores como a exposição excessiva a ruídos e o manejo inadequado de infecções representam as principais causas de surdez evitável, afetando tanto jovens quanto idosos. Compreender esses riscos e adotar medidas preventivas é essencial para preservar um dos nossos sentidos mais valiosos.

A audição: um sentido vital e sua vulnerabilidade

A audição nos conecta ao mundo, permitindo-nos desfrutar de conversas, música e os sons do ambiente. Sua perda, mesmo que parcial, pode impactar profundamente a qualidade de vida, levando ao isolamento social, dificuldades de aprendizado e até mesmo a problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. A surdez evitável refere-se a casos em que a perda auditiva poderia ter sido prevenida ou minimizada por meio de intervenções adequadas, educação e mudança de hábitos. Diferentemente de condições genéticas ou de perdas irreversíveis congênitas, estas perdas se desenvolvem ao longo da vida devido a fatores externos e internos que podem ser controlados.

Ruído: o inimigo silencioso e onipresente

A exposição prolongada ou intensa a níveis elevados de ruído é uma das principais ameaças à saúde auditiva. O ambiente moderno, seja nas grandes cidades, em locais de trabalho ou no lazer, frequentemente expõe os ouvidos a decibéis perigosos. Sons acima de 85 decibéis (dB) por longos períodos já são considerados prejudiciais. Para contextualizar, uma conversa normal gira em torno de 60 dB, enquanto o tráfego pesado pode atingir 85 dB e um show de rock, facilmente, 110-120 dB.

Exposição ocupacional e recreativa

Profissionais que trabalham em ambientes ruidosos, como fábricas, construções, aeroportos ou com máquinas pesadas, estão sob alto risco de desenvolver perda auditiva induzida por ruído (PAIR). No entanto, o perigo não se restringe ao ambiente de trabalho. A vida recreativa também oferece riscos significativos: o uso indiscriminado de fones de ouvido em volumes muito altos, a frequentação assídua de casas noturnas e shows sem proteção auditiva e a participação em eventos esportivos barulhentos são práticas comuns que contribuem para o desgaste das células ciliadas do ouvido interno.

O mecanismo de dano é simples, mas devastador: o ruído excessivo causa uma sobrecarga nas delicadas células ciliadas da cóclea, responsáveis por transformar as vibrações sonoras em impulsos elétricos que o cérebro interpreta. Uma vez danificadas ou destruídas, essas células não se regeneram, resultando em perda auditiva permanente. Frequentemente, essa perda ocorre de forma gradual, tornando-se perceptível apenas quando já está em um estágio avançado, o que dificulta a intervenção precoce.

O impacto em jovens e idosos

Entre os jovens, a prevalência do uso de fones de ouvido é alarmante. A cultura de ouvir música em volumes elevados por longos períodos está acelerando o surgimento de problemas auditivos que, antigamente, eram mais comuns em idades avançadas. Muitos adolescentes e jovens adultos já apresentam zumbido ou leves perdas auditivas, um sinal de que o dano já começou. A falta de conscientização sobre os limites seguros de volume e tempo de exposição é um fator contribuinte crucial.

Para os idosos, embora a presbiacusia (perda auditiva relacionada à idade) seja natural, a exposição crônica ao ruído ao longo da vida pode agravar e acelerar esse processo. O sistema auditivo, já naturalmente mais fragilizado com o envelhecimento, torna-se ainda mais suscetível aos danos acumulados. A combinação de fatores biológicos e ambientais pode resultar em uma perda auditiva mais severa e precoce na terceira idade, impactando diretamente a qualidade de vida e a autonomia.

Infecções: uma ameaça muitas vezes subestimada

Outra causa significativa de surdez evitável são as infecções, especialmente quando não tratadas adequadamente. As infecções podem afetar diretamente o sistema auditivo ou ter complicações que levam à perda da audição. A vigilância e o tratamento correto são vitais para evitar danos permanentes.

Otites e outras infecções sistêmicas

A otite média, uma inflamação ou infecção do ouvido médio, é particularmente comum em crianças. Se não for tratada de forma eficaz, pode levar ao acúmulo de líquido, perfuração do tímpano ou até mesmo à propagação da infecção para estruturas internas do ouvido, causando perda auditiva condutiva ou neurossensorial. Infecções mais graves, como meningite, caxumba, sarampo e rubéola, também representam um risco considerável. Elas podem causar inflamação direta dos nervos auditivos ou danos permanentes à cóclea, resultando em surdez profunda em um ou ambos os ouvidos.

A importância do diagnóstico e tratamento precoce

A chave para prevenir a surdez decorrente de infecções é o diagnóstico precoce e o tratamento completo e apropriado. Muitas vezes, a automedicação ou a interrupção do tratamento ao sentir uma melhora inicial podem mascarar a infecção e permitir que ela progrida, causando danos irreversíveis. É fundamental procurar um médico ao primeiro sinal de dor de ouvido, febre inexplicável ou qualquer sintoma sugestivo de infecção. Além disso, a vacinação contra doenças como sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral) e meningite é uma medida preventiva extremamente eficaz.

Outras causas e fatores de risco

Embora ruído e infecções sejam os protagonistas, outras condições também contribuem para a surdez evitável ou para a sua progressão, merecendo atenção.

Medicamentos ototóxicos

Certas classes de medicamentos, conhecidas como ototóxicos, podem causar danos temporários ou permanentes ao ouvido interno. Dentre eles, destacam-se alguns antibióticos (como os aminoglicosídeos), diuréticos de alça, certos quimioterápicos e doses elevadas de salicilatos (aspirina). A utilização desses fármacos deve ser feita sempre sob estrita supervisão médica, que irá ponderar os riscos e benefícios, ajustando as doses e monitorando a função auditiva, especialmente em pacientes mais vulneráveis, como idosos e crianças.

Traumas e condições crônicas

Traumas cranianos ou perfurações do tímpano causadas por acidentes ou objetos inseridos no ouvido (como cotonetes de forma inadequada) também podem levar à perda auditiva. Além disso, condições crônicas como diabetes e doenças cardiovasculares, quando mal controladas, podem afetar a circulação sanguínea no ouvido interno, contribuindo para a perda auditiva ao longo do tempo. Um estilo de vida saudável e o controle de doenças preexistentes são, portanto, indiretamente protetores da audição.

Estratégias eficazes para a prevenção da surdez

A prevenção é o pilar central na luta contra a surdez evitável. Adotar hábitos saudáveis e estar ciente dos riscos pode fazer toda a diferença.

Proteção contra ruído

Em ambientes de trabalho ruidosos, o uso de protetores auriculares (abafadores ou plugues) é obrigatório e deve ser rigorosamente seguido. No lazer, evite volumes muito altos em fones de ouvido, faça pausas regulares (regra 60-60: ouvir por no máximo 60 minutos a 60% do volume máximo), e utilize protetores em shows, baladas e eventos esportivos de alto volume. Distanciar-se da fonte sonora também ajuda a reduzir a intensidade do ruído.

Cuidado e higiene da saúde

Mantenha o calendário de vacinação atualizado para prevenir infecções. Procure atendimento médico imediato para qualquer infecção, especialmente as de ouvido, e siga o tratamento completo prescrito. Evite introduzir objetos no canal auditivo para limpá-lo, pois isso pode causar lesões ou empurrar cera para o fundo, formando rolhas. A limpeza do ouvido deve ser feita apenas externamente e, em caso de acúmulo de cera, um profissional deve realizar a remoção.

Educação e conscientização

Informar-se e educar os outros sobre os riscos da perda auditiva é um passo crucial. Campanhas de saúde pública, programas escolares e a orientação de pais e responsáveis podem disseminar informações vitais sobre práticas seguras de audição e a importância dos cuidados preventivos desde cedo.

A importância do diagnóstico precoce e acompanhamento

Mesmo com todas as medidas preventivas, é fundamental estar atento a qualquer sinal de perda auditiva. Exames de rotina, especialmente para grupos de risco (idosos, trabalhadores expostos a ruído), e avaliações audiológicas ao primeiro sintoma, como dificuldade para entender a fala em ambientes ruidosos ou zumbido constante, são essenciais. O diagnóstico precoce permite a intervenção mais rápida, seja ajustando hábitos, tratando condições subjacentes ou utilizando tecnologias assistivas como aparelhos auditivos e implantes cocleares, que podem melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.

A surdez evitável é um desafio de saúde pública que exige atenção contínua e esforços conjuntos. Proteger a audição é um investimento na nossa saúde e bem-estar para o futuro. Ao adotarmos uma postura proativa e responsável, podemos garantir que mais pessoas desfrutem plenamente do sentido da audição por toda a vida.

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Fonte: https://www.metropoles.com

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