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Onze erros culinários comuns elevam o risco de infecções alimentares, alerta estudo da USP

1 de 1 Mulher lavando maçãs frescas da estação. Metrópoles - Foto: Freepik

A cozinha, muitas vezes vista como o coração do lar, é também um ambiente onde perigos invisíveis podem espreitar. Infecções alimentares, causadas por bactérias, vírus ou parasitas presentes em alimentos contaminados, são uma realidade preocupante que afeta milhões de pessoas anualmente. Embora muitas vezes associadas a restaurantes ou estabelecimentos comerciais, um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP) lança luz sobre um aspecto crucial: grande parte dessas doenças tem origem em hábitos e práticas cotidianas dentro de nossas próprias casas. A pesquisa aponta para 11 erros culinários comuns que, inadvertidamente, transformam o ato de cozinhar em um risco para a saúde. Compreender esses equívocos é o primeiro passo para garantir a segurança alimentar e proteger a família.

O perigo invisível na sua cozinha: o que são infecções alimentares?

As infecções alimentares, também conhecidas como doenças transmitidas por alimentos (DTAs), ocorrem quando consumimos comidas ou bebidas contaminadas por agentes patogênicos. Os sintomas podem variar de leves, como náuseas e diarreia, a graves, incluindo desidratação severa, febre alta e, em casos extremos, até a morte. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com sistema imunológico comprometido são particularmente vulneráveis e podem desenvolver quadros clínicos mais sérios. No Brasil, os dados da Secretaria de Vigilância em Saúde indicam milhares de surtos de DTAs anualmente, reforçando a urgência de uma maior conscientização sobre a prevenção.

A contaminação pode ocorrer em qualquer etapa da cadeia alimentar, desde a produção e colheita até o processamento, transporte e, crucialmente, o preparo doméstico. É nesse último elo que o estudo da USP foca, revelando que a falta de conhecimento ou a desatenção a princípios básicos de higiene e manipulação alimentar são os grandes catalisadores dessas doenças dentro de nossos lares. Não se trata apenas de alimentos estragados, mas de microrganismos que muitas vezes não alteram o cheiro, sabor ou aparência da comida, tornando-os ainda mais perigosos.

A pesquisa da USP: desvendando hábitos perigosos

O estudo da USP analisou minuciosamente os hábitos de preparo e consumo de alimentos em residências brasileiras, identificando pontos críticos onde a segurança alimentar é frequentemente comprometida. A metodologia buscou entender as rotinas na cozinha, desde o momento da compra até o armazenamento de sobras, para mapear as falhas mais comuns. A conclusão é um alerta: muitos dos erros que cometemos diariamente, por falta de informação ou por pressa, criam o ambiente perfeito para a proliferação de bactérias como a <i>Salmonella</i>, <i>E. coli</i> e o <i>Staphylococcus aureus</i>, responsáveis pela maioria das infecções alimentares.

Os 11 erros críticos que você provavelmente comete

1. Contaminação cruzada: o inimigo silencioso

Um dos erros mais graves é a contaminação cruzada, que ocorre quando bactérias de alimentos crus (especialmente carnes, aves e peixes) são transferidas para alimentos prontos para consumo ou que serão consumidos crus, como saladas. Usar a mesma tábua de corte para carne crua e depois para picar vegetais sem a devida higienização é um exemplo clássico. Os microrganismos invisíveis se espalham facilmente, transformando um prato saudável em um vetor de doença.

2. Descongelamento inadequado

Deixar alimentos congelados descongelando em temperatura ambiente por horas é um convite para a proliferação bacteriana. A parte externa do alimento descongela primeiro e entra na 'zona de perigo' (entre 5°C e 60°C), onde as bactérias se multiplicam rapidamente, enquanto o interior ainda está congelado. O descongelamento seguro deve ser feito na geladeira, no micro-ondas ou sob água fria corrente.

3. Lavagem de mãos insuficiente

A higiene das mãos é a primeira linha de defesa. Não lavar as mãos adequadamente com água e sabão antes, durante e depois do preparo dos alimentos, e após ir ao banheiro, tocar em lixo ou animais, é um erro primário. As mãos são veículos poderosos para a transferência de microrganismos da pele, cabelo e superfícies para a comida.

4. Cozimento incompleto

Para eliminar as bactérias, os alimentos precisam atingir e manter uma temperatura interna segura por tempo suficiente. Carnes, aves e ovos, em particular, exigem cozimento completo. Muitas pessoas confiam apenas na aparência ou no tempo de cozimento, sem verificar se o interior do alimento está realmente livre de patógenos. Um termômetro culinário é um excelente aliado.

5. Refrigeração tardia

Após o cozimento, alimentos quentes não devem ficar em temperatura ambiente por mais de duas horas. A demora na refrigeração permite que bactérias sobreviventes se multipliquem rapidamente. Dividir grandes porções em recipientes menores e rasos ajuda a resfriar mais rapidamente na geladeira, minimizando os riscos.

6. Armazenamento incorreto de sobras

Sopas, molhos e outros pratos cozidos muitas vezes são armazenados em recipientes inadequados ou deixados na geladeira por tempo excessivo. As sobras devem ser guardadas em potes herméticos, em pequenas porções para resfriamento uniforme, e consumidas em no máximo três a quatro dias. O congelamento pode estender a vida útil, mas também tem limites.

7. Não higienizar frutas, legumes e verduras

Mesmo que você não veja sujeira, frutas, legumes e verduras podem carregar microrganismos de solo, água e manipulação, além de resíduos de agrotóxicos. Lavá-los cuidadosamente em água corrente e, se necessário, usar soluções sanitizantes adequadas, é fundamental para remover impurezas e bactérias.

8. Consumo de alimentos após o prazo de validade

Datas de validade existem por um motivo. Consumir produtos vencidos, mesmo que pareçam bons, é um risco desnecessário. A perda de qualidade sensorial pode não ser perceptível, mas a proliferação microbiana pode já ter atingido níveis perigosos. Fique atento às datas de 'consumir até' e 'melhor antes de'.

9. Provar alimentos com suspeita de deterioração

Aquela pequena 'provinha' para ver se a comida estragou pode ser perigosa. Se há qualquer dúvida sobre a segurança de um alimento – cheiro estranho, cor alterada, mofo visível ou textura incomum – o melhor é descartar. Mesmo uma pequena quantidade de toxinas bacterianas pode causar sérios problemas de saúde.

10. Utensílios e superfícies sujas

Esponjas, panos de prato e tábuas de corte são excelentes abrigos para bactérias se não forem limpos e sanitizados regularmente. Superfícies de trabalho na cozinha, como bancadas e pias, também precisam de limpeza constante, especialmente após o contato com alimentos crus. Uma cozinha limpa é uma cozinha segura.

11. Água não potável ou de fonte duvidosa

Usar água não tratada ou de uma fonte duvidosa para lavar alimentos, cozinhar ou até para beber pode ser uma porta de entrada para microrganismos patogênicos. Em locais onde a qualidade da água da torneira é incerta, o uso de água filtrada ou fervida é essencial para a segurança alimentar.

Prepare e armazene corretamente: um guia essencial

A boa notícia é que a prevenção está ao alcance de todos. Pequenas mudanças de hábito podem fazer uma enorme diferença na segurança da sua alimentação diária. Adotar práticas corretas de preparo e armazenamento não é apenas uma recomendação, é uma necessidade para a saúde da sua família.

Higiene é a chave

Sempre lave as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos antes de começar a cozinhar, após manipular alimentos crus e antes de servir. Mantenha utensílios, tábuas e superfícies de trabalho impecavelmente limpos. Utilize panos de prato limpos e troque as esponjas regularmente. Lave frutas, verduras e legumes sob água corrente, e utilize uma escova para raízes e cascas mais firmes.

Cozinhe e reaqueça com segurança

Garanta que os alimentos atinjam temperaturas seguras de cozimento. Use um termômetro culinário para verificar a temperatura interna de carnes. Ao reaquecer sobras, certifique-se de que o alimento esteja borbulhando e quente por completo, atingindo pelo menos 74°C para matar qualquer bactéria que possa ter crescido durante o armazenamento.

Separe para evitar a contaminação

Utilize tábuas de corte e utensílios diferentes para alimentos crus e cozidos. Guarde carnes, aves e peixes crus em recipientes vedados na parte inferior da geladeira para evitar que seus sucos gotejem em outros alimentos. Nunca coloque alimentos cozidos em um prato que antes continha carne crua, a menos que o prato tenha sido lavado.

Refrigere rapidamente

Alimentos perecíveis não devem ficar em temperatura ambiente por mais de duas horas. Transfira as sobras para a geladeira o mais rápido possível. Mantenha a geladeira entre 0°C e 4°C e o freezer abaixo de -18°C. Descongele alimentos na geladeira, no micro-ondas ou em água fria e os prepare imediatamente após o descongelamento.

O estudo da USP reforça que a segurança alimentar é uma responsabilidade compartilhada, mas que começa em casa. Adotar estas práticas simples, porém poderosas, não só previne doenças, como também garante a você e sua família o prazer de refeições deliciosas e livres de preocupações. Não subestime o poder de uma cozinha bem cuidada e de hábitos conscientes. Para mais dicas sobre saúde, bem-estar e o que acontece em Palhoça e região, continue navegando pelo Palhoça Mil Grau. Sua informação está aqui!

Fonte: https://www.metropoles.com

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